Como nasce uma tendência de moda?

Muito antes de uma peça chegar às vitrines e conquistar as ruas, ela passa por um processo que envolve comportamento, cultura, criatividade, pesquisa e observação. Entender como nasce uma tendência de moda é também compreender como a moda interpreta os sinais de seu tempo.

Como nasce uma tendência de moda?
Imagem: Dupe Photos

Uma nova tendência de moda raramente surge de maneira repentina. Quando determinada cor começa a aparecer em coleções, uma modelagem passa a ocupar as vitrines ou uma estética conquista as redes sociais.

Normalmente existe uma história anterior à sua popularização. Pequenas mudanças de comportamento, referências culturais, movimentos sociais, transformações econômicas e novas tecnologias podem funcionar como sinais de que algo está começando a mudar.

Mas, o que chega ao público em geral como uma tendência consolidada é, portanto, apenas a etapa mais visível de um processo muito mais amplo. Assim, compreender como nasce uma tendência de moda significa olhar para além das passarelas e das vitrines.

É necessário observar pessoas, cidades, comportamentos, manifestações culturais, redes sociais e até mudanças na maneira como diferentes gerações trabalham, consomem e se relacionam com o mundo. E é justamente nesse território entre observação e interpretação que profissionais de pesquisa de tendências e coolhunting encontram seu espaço.

Para se tornar esse profissional super capacitado, é necessário muito estudo, como os cursos de moda oferecidos pelo Passaporte Fashionista. Já imaginou estudar moda nas principais capitais mundiais da moda, totalmente em português e com certificado internacional?

Pois isso é possível, basta escolher entre Paris, Florença e Milão, fazer as malas e viver essa experiência transformadora. Em Paris, são oferecidos três cursos: Estilo, Tendências e Mercado de Luxo, o curso profissionalizante de Consultoria de Imagem/Personal Stylist e o curso profissionalizante de Coolhunting/Pesquisa de Tendências.

Mas, na Itália é possível encontrar outras duas formações. Moda Italiana e Fashion Design em Milão e Tendências e Mercado de Luxo em Florença. 

Tendência não nasce apenas na passarela

Durante muito tempo, predominou a percepção de que as tendências eram determinadas principalmente pelas grandes casas de moda. As coleções apresentadas nas semanas internacionais de moda eram vistas como o ponto de partida para aquilo que seria usado nas temporadas seguintes.

Mas, apesar das passarelas continuarem exercendo enorme influência, o processo contemporâneo tornou-se muito mais descentralizado. Uma tendência pode surgir nas ruas, em movimentos culturais, na música, no cinema, na arquitetura, nas redes sociais ou em comunidades específicas antes de chegar às grandes marcas. 

Da mesma forma, uma proposta apresentada por um designer pode ser reinterpretada pelos consumidores e ganhar um significado completamente diferente daquele inicialmente imaginado. A moda passou a funcionar como uma via de mão dupla.

Marcas influenciam consumidores, mas consumidores também influenciam marcas. Criadores observam o comportamento das ruas, enquanto o público interpreta e modifica aquilo que vê nas coleções.

O papel do comportamento

A moda acompanha o comportamento porque as roupas fazem parte da vida cotidiana. Quando os hábitos das pessoas mudam, suas necessidades e preferências em relação ao vestir também podem se transformar. 

Mudanças no ambiente profissional, por exemplo, alteraram a relação com roupas formais. A expansão do trabalho remoto e de modelos híbridos modificou a maneira como muitas pessoas pensam em conforto, praticidade e apresentação pessoal.

Da mesma forma, o crescimento do interesse por atividades ao ar livre pode favorecer determinadas peças, materiais e referências estéticas. Isso demonstra que uma tendência não é apenas uma questão de gosto, ela pode ser consequência de transformações concretas na sociedade.

Como já mencionado, a relação entre rua e passarela tornou-se cada vez mais dinâmica. Em determinados casos, uma tendência aparece primeiro entre consumidores e comunidades específicas e posteriormente é absorvida pela indústria.

Mas, temos outros casos em que, uma proposta criada por designers chega às ruas e é reinterpretada pelo público. O street style possui papel importante nesse processo porque funciona como um espaço de experimentação.

As pessoas combinam peças de maneiras inesperadas, misturam referências de décadas diferentes e adaptam tendências ao próprio estilo. Algumas dessas combinações desaparecem rapidamente, outras despertam interesse suficiente para serem reproduzidas e ampliadas.

Quando uma estética começa a ser repetida em diferentes contextos, sua capacidade de influência aumenta. Ainda assim, popularidade não significa necessariamente tendência duradoura.

Quando uma tendência ganha escala

Para que um comportamento ultrapasse um pequeno grupo e alcance uma parcela maior do mercado, diversos fatores precisam se encontrar. Entre eles, podemos citar:

  • a  indústria precisa identificar potencial comercial;
  • as marcas devem começar a interpretar aquela referência; 
  • os produtos passam a ser desenvolvidos; 
  • grandes influenciadores e veículos especializados ajudam a ampliar sua visibilidade;
  • e por fim, as redes sociais aceleram a circulação das imagens.

Mas, é importante destacar que esse processo não é linear. Algumas tendências que parecem promissoras durante meses, desaparecem antes de alcançar o grande público. 

Outras crescem rapidamente e se transformam em fenômenos de massa. Isso porque, a capacidade de prever exatamente qual caminho será seguido é limitada. 

Por isso, a pesquisa de tendências trabalha muito mais com probabilidades, sinais e cenários do que com certezas absolutas.

As redes sociais aceleraram o ciclo das tendências

Poucos elementos transformaram tanto a dinâmica da moda quanto as redes sociais. Antes da internet, uma tendência dependia de canais relativamente concentrados para alcançar grandes públicos: revistas, televisão, publicidade, celebridades, lojas e desfiles.

Hoje, uma imagem pode circular mundialmente em questão de horas. E isso fez com que a disseminação das tendências fosse mais rápida, mas também aumentou sua volatilidade.

Uma estética pode conquistar milhões de visualizações e perder relevância pouco tempo depois. Dessa forma, surgiu o que chamamos de microtendências: fenômenos estéticos que ganham grande visibilidade durante períodos relativamente curtos.

Mas, para os profissionais de pesquisa, esse contexto representa um desafio. É necessário distinguir aquilo que é apenas um conteúdo viral de uma mudança de comportamento com potencial de permanência, já que nem tudo que viraliza se transforma em tendência.

A influência da cultura

A moda também responde ao que acontece fora dela. Música, cinema, arte, arquitetura, gastronomia, tecnologia e movimentos culturais podem influenciar a estética de determinado período.

Uma produção cinematográfica pode recuperar o interesse por uma década específica. Um movimento musical pode influenciar roupas e acessórios, bem como uma inovação tecnológica pode criar novas possibilidades de materiais e design.

Essa relação torna a moda um reflexo parcial da sociedade. Por isso, pesquisar tendências exige repertório. 

Quem acredita que apenas observar roupas é o caminho está enganado. O olhar precisa ser ampliado para identificar conexões entre diferentes áreas.

O tempo como grande aliado

Uma tendência precisa de tempo para demonstrar sua força. Algumas surgem rapidamente e alcançam grande popularidade em pouco tempo, outras levam anos para amadurecer.

É possível pensar nesse processo como uma espécie de ciclo: primeiro aparece uma ideia ou comportamento entre grupos específicos; depois, outras pessoas começam a adotá-lo. A indústria percebe o movimento; a tendência ganha exposição; chega ao mercado de massa e, posteriormente, pode perder força.

Mas, nem sempre todas as tendências percorrem todas essas etapas. Algumas permanecem restritas a determinados grupos e as que conseguem ultrapassar esse ciclo se tornam parte do repertório permanente da moda.

Dessa forma, existe uma diferença importante entre aquilo que está “em alta” e aquilo que permanece. Uma tendência pode dominar uma temporada e desaparecer. 

Mas, um clássico, por outro lado, consegue sobreviver às mudanças de comportamento e estética. Esse processo de transformação de uma tendência em clássico é raro e não pode ser determinado antecipadamente.

Peças como a camisa branca, o jeans e o blazer demonstram como determinados elementos conseguem ser reinterpretados ao longo de décadas sem perder sua identidade. O que inicialmente pode ter sido uma novidade acaba incorporado ao repertório coletivo.

Afinal, como nasce uma tendência de moda?

Não existe uma fórmula capaz de prever com absoluta precisão qual será a próxima grande tendência. O que existe é um processo de observação e interpretação.

Uma mudança de comportamento pode gerar um sinal, que revelará um padrão. Isso pode despertar o interesse de criadores e marcas a produzir determinada peça que terá grande visibilidade e por fim, os consumidores podem reinterpretá-la e levá-la para diferentes contextos.

Mas, existe uma última variável que nenhuma previsão consegue controlar completamente: as pessoas. São elas que escolhem o que vestir, adaptar, rejeitar ou transformar.


Por isso, compreender as tendências de moda é, no fundo, compreender o comportamento humano. A roupa é apenas a parte mais visível de um processo que começa muito antes de uma coleção chegar às lojas.

E talvez seja justamente essa a parte mais fascinante da moda: aquilo que hoje parece apenas uma escolha estética pode ser o primeiro sinal de uma transformação que ainda está começando. 

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