O charme da laise está de volta

Há tecidos que entram e saem das tendências, e há aqueles que parecem esperar o momento certo para reaparecer. O charme da laise está de volta, com a mesma delicadeza, mas de uma forma diferente, confira os motivos.

O charme da laise está de volta
Imagem: Envato

Com seus desenhos vazados, bordados florais, textura característica e uma aparência que combina frescor e romantismo, ela voltou a ganhar espaço na moda. Mas chamar esse movimento simplesmente de “tendência” talvez seja pouco. 

A laise faz parte de uma tradição muito mais antiga, ligada ao trabalho artesanal, ao bordado e à valorização dos detalhes. Nos últimos anos, essa estética reapareceu em coleções de grandes marcas e em peças que vão muito além do tradicional vestido branco de verão. 

Saias, camisas, calças, tops, conjuntos e até peças de alfaiataria passaram a incorporar o efeito vazado, mostrando que um material associado durante muito tempo à delicadeza pode ganhar interpretações bastante contemporâneas. 

Mas, afinal, de onde veio a laise? Por que ela ficou tão associada ao verão? E o que explica seu retorno agora?

Além de entender mais sobre esses questionamentos agora, queremos convidá-lo a elevar seu conhecimento no universo fashion, com os cursos de moda do Passaporte Fashionista. Apesar deles acontecerem nas principais capitais mundiais da moda, os cursos são todos ministrados em português.

Em Paris, oferecemos três cursos de moda, sendo dois deles profissionalizantes. O curso de Estilo, Tendências e Mercado de Luxo, o curso profissionalizante de Consultoria de Imagem/Personal Stylist e o curso profissionalizante de Coolhunting e Pesquisa de Tendências. 

Mas, temos também outros dois cursos na Itália. O curso de Moda Italiana e Fashion Design em Milão e o curso de Tendências e Mercado de Luxo em Florença.

Antes de ser tendência, uma técnica

Quando falamos em laise, é comum imaginar imediatamente um tecido de algodão branco, cheio de pequenos desenhos vazados. Tecnicamente, porém, é interessante fazer uma distinção: a característica que reconhecemos como laise está relacionada à broderie anglaise, uma técnica de bordado vazado e não necessariamente a um único tipo de tecido.

Assim, essa técnica é caracterizada pela criação de pequenos furos, em formato circular ou oval, e as bordas dele apresentam pontos de bordado. Esses desenhos, no geral, formam flores, folhas, arabescos e outros motivos decorativos.

Além disso, o próprio nome esconde uma curiosidade. Quando traduzido,“broderie anglaise” significa “bordado inglês”, mas sua origem não é tão simples quanto o nome sugere. 

Dados históricos apontam que sua origem vem do século XIX, no Leste Europeu, especialmente à Inglaterra. Por isso, sua trajetória torna o tecido tão interessante: ela é resultado de uma história em que técnicas, culturas e formas de produção foram se cruzando ao longo do tempo.

Mas, nesse período, ela era utilizada em roupas femininas, peças infantis, roupas de baixo e itens para a casa. Sua leveza e delicadeza fazia com que os pequenos bordados fossem muito utilizados em roupas de verão. 

Durante muito tempo, bordados e trabalhos manuais elaborados exigiam muitas horas de trabalho. E com a industrialização, esse cenário foi sendo modificado.

As máquinas passaram a reproduzir desenhos que anteriormente dependiam quase exclusivamente do trabalho manual. Dessa forma, a técnica tornou-se mais acessível à população, o que permitiu sua utilização em maior escala.  

A laise, portanto, carrega uma história que acompanha uma transformação importante da própria moda. A passagem de uma produção predominantemente artesanal para uma indústria capaz de reproduzir técnicas decorativas em grandes quantidades.

Do enxoval para o guarda-roupa

Muitas pessoas, até pouco tempo, tinham preconceito em usar laise. Já que durante boa parte de sua trajetória, o bordado vazado esteve muito ligado a uma estética doméstica e delicada. 

Mas, no Brasil, a associação com roupas de bebê, enxovais, toalhas, peças de cama e roupas de verão ajudou a construir uma memória afetiva em torno da laise. E a moda tem uma característica curiosa: aquilo que em determinado momento parece cotidiano pode, algumas décadas depois, ganhar status de referência.

O tecido começou a aparecer com mais força no vestuário e passou a ser explorado por diferentes estilos. A estética romântica continuou presente, mas dividiu espaço com propostas mais descontraídas.

Nos anos 1960 e 1970, por exemplo, tecidos com aparência artesanal, bordados e elementos naturais passaram a conversar com a estética boêmia e hippie. A partir daí, a ideia de que o bordado vazado pertencia apenas a uma roupa extremamente delicada começou a perder força.

A laise pode ser jovem, casual, romântica ou sofisticada, dependendo da modelagem e da combinação. E você, acha que a laise combina com seu estilo?

Então, por que a laise voltou?

Talvez a pergunta mais interessante seja outra: por que estamos olhando novamente para a laise neste momento? A resposta não está em uma única tendência.

A moda contemporânea tem demonstrado um interesse crescente por elementos que remetem ao passado. Bordados, rendas, babados, transparências, trabalhos manuais e acabamentos decorativos vêm ganhando espaço em um momento em que o minimalismo extremo deixou de ser a única referência dominante.

Mas, em outras palavras, existe uma valorização daquilo que parece ter uma história. Depois de anos em que a estética clean dominou boa parte da moda, detalhes que revelam textura, trabalho e construção passaram a oferecer uma alternativa visual interessante.

A laise se encaixa perfeitamente nesse cenário. Ela não precisa de estampas complexas ou aplicações chamativas para chamar atenção, o próprio tecido cria esta informação visual.

A laise atual não precisa ser romântica

Talvez essa seja a principal mudança na maneira como a moda atual trabalha o tecido. A laise tradicionalmente evoca uma imagem bastante específica: vestido branco, cintura marcada, sandálias delicadas e uma estética romântica.

Mas, hoje as possibilidades são muito maiores. Ela aparece em camisas oversized, tops, saias midi, calças amplas, shorts, vestidos, conjuntos e peças de sobreposição. 

Também pode ser encontrada em versões coloridas, em desenhos maiores e em construções que se afastam bastante daquele imaginário tradicional. A modelagem passa a ser tão importante quanto o próprio tecido.

Olhando para grandes grifes, percebemos que o retorno da laise não está restrito às marcas comerciais. A estética do bordado inglês apareceu em importantes coleções de luxo nos últimos anos.

Dois bons exemplos são a coleção Resort 2025 da Chanel e também a coleção Spring 2025 da Michael Kors. E aqui temos um detalhe importante: as marcas não estão simplesmente recuperando a laise estão usando o código visual do tecido para construir uma nova linguagem.

O charme da laise está de volta

A história da laise é, no fundo, uma história sobre permanência. Uma técnica que atravessou diferentes países, períodos históricos e formas de produção chegou ao guarda-roupa contemporâneo sem perder sua característica mais marcante: a capacidade de transformar pequenos detalhes em protagonistas.

Hoje, ela pode aparecer em um vestido romântico, em uma camisa oversized, em uma saia sofisticada ou em um conjunto completamente contemporâneo. Pode ser branca, colorida, delicada ou gráfica.

Mas, é justamente essa capacidade de adaptação que impede que ela seja reduzida a uma simples tendência de estação. O charme da laise está de volta porque ela está sendo redescoberta.


A moda pode até reinventar seus materiais, suas silhuetas e seus códigos. Mas existe algo irresistível em revisitar aquilo que já carregava beleza antes mesmo de voltar a ser desejado.

Com a laise é exatamente assim, ela “voltou” porque sempre foi uma tendência relevante. Para se aprofundar nesses assuntos do universo da moda, se atualize com os cursos do Passaporte Fashionista. 

Além disso, diariamente em nosso Instagram, falamos sobre tendências, cultura, estilo e tudo o que acontece nesse universo incrível.

Leave a comment